Criatura não planejada, vim ao mundo por ironia do destino. Como seria o mundo sem mim? Já que existo, o que seria das coisas se eu desaparecesse, morresse? Eu seria como um cometa cruzando o céu ao anoitecer. E seguindo essa linha de raciocínio, por que as coisas nunca são como as quero? As vezes até chego lá. E quando elas parecem ser fáceis demais, as deixo passar. Como um arco-íris sumindo em um piscar de olhos.
Sou movida a sonhos. Imagino e planejo coisas brilhantes, cintilantes, esplendorosamente radiantes. Mas elas se vão como o dia se torna noite. E, então, fico triste, irada, sensível, entediada e sem saber o que fazer. Fico perdida como uma tarde nublada sem a luz do sol. E nada nesta vida é fácil, tampouco vem por acaso, sempre temos que aprender com nossos erros e até mesmo com os dos outros. Somos iludidos pela beleza de um castelo construído na areia da praia, que vai-se tão rápido abaixo. Agora, mais do que nunca meus sonhos parecem estar mais longe, mais difíceis, mais caros, mais raros e mais impossíveis como uma flor fora do meu alcance.
Mas por cima de toda essas dificuldades, dessas batalhas, dessas inseguranças, insanidades, desilusões e de minha própria existência, me perco na magia das coisas simples e entendo que nasci para alegrar, inspirar, encantar, amar, ensinar... Porque é assim com todo mundo neste mundo. E como todo mundo é igual, um dia tudo isso acaba, as coisas acabam e nós acabamos como um pôr do sol morrendo com o nascer da lua. E tudo vai-se tão rápido como essas linhas de uma falsa escritora.
Sarah Marques